A luz do sol poente

Serafim Quintino na comunidade

Serafim Quintino na comunidade

Vai chegando a hora

em que devo ir ao ocidente,

As trevas cairão

sobre a terra dos Luandos e arredores.

Faltará o calor da minha luz,

a luz branca dos meus argumentos,

a luz vermelha dos meus sofismas.

Os homens e mulheres dos Luandos

pediram para que ficasse mais algum tempo!

Todavia eu já não posso ficar,

devo mesmo partir por sete anos,

enfim, partir para sempre, morrer mesmo!

Aí então outras estrelas irradiarão a sua luz!

Os jovens e as crianças

me pediram mais calor.

Não posso dar mais calor,

o meu declive já está bastante inclinado.

Já só faltam 7 unidades de tempo

para mergulhar no horizonte do Cabo Ledo.

Deixo para trás  a sombra  das nuvens

e das aves do céu, projectadas sobre o mar.

As silhuetas deformadas das árvores

secas do Morro dos veados e do Cabo Ledo;

As silhuetas dos coqueiros da Ilha do Mussulo

sobre o azul do mar do miradouro da lua.

O meu declive já é bastante inclinado,

não posso mais retornar ao oriente.

Todavia a minha luz continuará entre vós,

difundida na noite pelas luas de Inaueza;

a luz dos satélites, cometas e meteóritos do mundo,

que se estendem do oriente para o ocidente.

Os jovens e as crianças

pediram que lhes deixasse

cadernos, lápis, livros e brinquedos!

Deixarei uma lista de palavras

escolhidas do cesto das  palavras sábias

dos povos da terra.

Deixo também para as crianças

dos Luandos, Kissama, Angola, África e de todo Mundo

as fábulas, os contos, as canções e provérbios dos sábios

As belas palavras edificadoras

e agradáveis

dos nossos antepassados e videntes.

As palavras sábias dos sábios de todo mundo,

As palavras do poema do vidente de Canata…!

Qual abelha que extrai o pólen das flores,

o néctar das frutas

e a gordura dos excretos

e cadáveres

para fazer o mel…!

Trouxe de várias partes do mundo,

este conhecimento acumulado

pelos povos ao longo dos séculos,

para que por ele vades crescendo

e adquiram maturidade.

Não disseram os nossos antepassados

que ser adulto não é ver o elefante?

É andar pelo mundo fora!

Sim,

A verdadeira maturidade é andar pelo mundo fora!

Oxalá, leiam e meditem nestas palavras

e se tornem entre as famílias dos povos,

como os embondeiros entre as árvores e

elefantes entre os animais da selva.

Feito em Luanda, Maio de 2007

Serafim Quintino

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